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Roubem, mas ai de vós se fordes apanhados*

Posfácio do livro Poemas para Acabar com a Violência Doméstica por Maria S. Rebello

Querida Anne Quetzal: como é que tu sabias que dentro da tua cabeça existiam estes 76 poemas do teu novo livro? Começo este texto, em forma de missiva, depois de ler os teus poemas mais uma vez e, no momento de uma dessas leituras, ter recordado uma outra muito antiga que conta o episódio da criança que, ao ver trabalhar Miguel Ângelo, na altura em que ele esculpia a cabeça de um cavalo, lhe perguntou como é que ele sabia que havia um cavalo dentro da pedra.

Foi certamente a nossa amizade que te fez pedires-me um texto para acompanhar o teu novo livro de poemas. Admiro-te desde os tempos de faculdade, quando líamos os clássicos e tu gostavas de encenar certas passagens dos livros para descansarmos a cabeça e exibirmos os nossos corpos jovens e amantes. Nunca te imaginei a escrever poesia; logo tu que és uma mulher de atirar pedras aos cães, deitar por terra as esperanças dos mais desgraçados que te assediam, de não deixares que te façam o ninho atrás da orelha, de nunca pedinchares palavras murmuradas por saberes que a vida vive-se aos gritos.
O que se passou contigo, minha querida amiga, para cederes à arte dos suicidas? Logo tu que todos os dias depois do trabalho chegavas a casa e começavas um novo romance. E o que é feito dos teus quadros a tinta da china? E dos teus desenhos eróticos, coloridos com o pó das estrelas, e das estradas, que nos levavam à beira daquele rio caudaloso em S. Francisco e, anos mais tarde, à beira do Sena, em Paris, onde preparámos o regresso a casa, à beira do rio Tejo, e ao território dos nossos cavalos e dos teus toiros bravos?

Não gosto de poetas choramingas e, nisso, tu enches as minhas medidas; a tua poesia é feita da pedra de onde saem cabeças de cavalos como nas obras de Miguel Ângelo. Onde é que foste inspirar-te para escreveres estes poemas se tu sempre amaste e viveste com políticos no activo, nunca perdeste um segundo da tua vida a esconder as mamas e, muito menos, escondias as cuecas quando trocavas as pernas naqueles gabinetes sempre cheios de homens com os queixos caídos nas mamas e nas coxas das mulheres?

Foste vítima de violência doméstica e nunca contaste a ninguém para não estragares a vida pública desses teus maridos importantes que te fodiam uma vez por mês quando tinham um fim de semana livre?
Foste às putas para aprenderes como se sobrevive a fazer sexo sem tesão e sem amor?
O tanto que eu não sei de ti minha querida irmã do coração; ou devia escrever: o que eu não sei das tuas paixões secretas, das tuas transgressões, dos teus monumentos de palavras, desse segredo da tua vida em que, tal como D. Quixote, investiste contra moinhos de vento julgando que eram tropas inimigas, e nunca mais deixaste os caminhos da aventura para te alimentares dos outros, ou não fosse a viagem a arte do encontro.

Contado que os teus leitores aceitem ser condescendentes comigo, arrisco escrever que em alguns dos poemas deste livro consegues dar continuidade a uma tradição poética inaugurada por Safo, de que tanto falamos nos nossos serões literários. Lembras-te da discussão que tivemos há trinta anos sobre Nicolau Tolentino, que escreveu a frase, que ficou famosa, de que “não há nada de novo, a não ser aquilo que foi esquecido” ? Lembrei-me dela assim que abri o computador e comecei a ler os poemas deste livro onde queres acabar com a violência doméstica.
Gostei do título. Está de acordo com os segredos que guardas do teu último marido que foi ministro/embaixador/latifundiário, que precisava bater-te e fazer sangue para conseguir foder-te e conquistar um orgasmo. Recrias com muita arte e engenho a poesia erótica e política que não vejo noutros poetas das últimas gerações. Reconheço que gostava que fosses ainda mais pornográfica. Fica o desafio para um próximo conjunto de poemas. Para já, e escrevo isto sem favor de amiga e camarada de muitos anos do ofício de viver, os poemas para acabar com a violência doméstica são o melhor que li nos últimos anos. Não precisas de sair à rua com o livro debaixo do braço para anunciares um dos melhores livros de poesia que li, folheei e adorei desde que me conheço amante de poemas e poetas.

Maria S. Rebello
Lisboa Abril de 2021

Nota: Maria S. Rebello é diplomata de carreira. Sempre usou o apelido de seu pai. Vive entre Azambuja e Lisboa depois de uma vida a viajar e a trabalhar. É dona e gestora de galeria de arte em Lisboa.

* Este titulo é roubado, sem aspas, da página 203 do livro “Quem disser o contrário é porque tem razão” de Mário de Carvalho, que explica a educação de um jovem espartano a quem, de propósito, se dava uma alimentação escassa.


Uma poeta secreta e libertina

*Informação da editora para a imprensa

Poemas Políticos e Eróticos é a segunda reunião de poemas de Anne Quetzal uma poeta que apareceu em 2016 com Poemas Americanos numa edição da Rosmaninho que volta​ agora ​a publicar a​ ​poeta mais secreta e libertina da literatura portuguesa dos últimos tempos. ​
​N​ascida em Lisboa Anne Quetzal​ viveu quase toda a sua vida no estrangeiro​,​ nomeadamente em cidades como Londres, S. Francisco, Roma, Paris e Madrid.​ Foi por lá que viveu boa parte da sua vida, aliando a profissão ao prazer solitári​o​ da escrita, nomeadamente da poesia, cuja Obra a Rosmaninho se orgulha ​de​ publicar.
​
​Anne Quetzal regressou em 2015 a Lisboa, e à casa da família, no concelho do Cartaxo, no Ribatejo, ​onde ajuda a cuidar de uma quinta com uma dezena de hectares, muitos cavalos e galinhas. Anne Quetzal deixou ​definitivamente ​o ofício de arquitecta para se dedicar a tempo inteiro à literatura e à poesia que considera a mãe de todos os géneros literários.

​Poemas ​P​olíticos e ​E​r​ó​ticos é um livro ​provocador, ao jeito dos ​melhores ​poetas libertinos​. O livro é um conjunto de 101 poemas, todos eles possuindo um estilo confessional​,​ ​onde se esconde a voz de um homem ​“​que vai ás putas”, ​“que tem segredos para contar​“​, ​“que não nasceu rico​” ​, ​“​que vai ​à​ missa aos domingos​”, ​“​cujo desti​n​o é andar sempre metido debaixo das saias de deus​”.

Poemas ​P​olíticos e ​E​r​ó​t​icos​ é um livro de poemas que faz uma ​​abordagem ​admir​á​vel​, em versão masculina, ​a​os ​mais significativos ​limites da subversão e da dissidê​ncia ​que se pode​m​ encontrar ​nos comportamentos​ dos Homens.​ Aviso aos mais distr​aidos: quem for insens​í​vel ao desafogo da imaginação, achar que pode ser v​í​tima de uma maldição divina, deve evitar a leitura deste​ livro​​.​
Os títulos d​os poemas ​são nomes cimeiros de figuras da cultura e da política portuguesa​ todos eles ainda vivos​. A autora explica numa breve “Advert​ê​ncia” que o livro ​“​é uma declaração de amor aos “homens” da sua vida. E por que é que todos os títulos dos poemas são nomes de hom​e​ns? ​“Porque eles é que são ​“os salvadores da p​á​tria”, escreve​.


Anne Quetzal: Uma mulher de palavra fácil

Poemas Americanos é um livro que rompe barreiras e inaugura uma nova voz na poesia erótica no feminino.

“Não há nada mais triste que a alegria das putas na cama e o sorriso dos homens livres assobiando de regresso a casa” (página 69). Escolho ao acaso um dos 308 textos de Poemas Americanos, de Anne Quetzal, edição Rosmaninho, 2016, repartidos pelas 102 páginas do livro, que inclui ainda uma extensa dedicatória e um posfácio. Livro com uma capa feliz, graficamente bem apresentado, com um bom aproveitamento do papel, de relevar num tempo em que os poetas engrossam volumes com muitas dezenas de páginas apenas com textos de uma, duas ou três linhas.

O livro de Anne Quetzal está cheio de pequenos poemas e a escolha dos versos que abrem esta resenha foi ao acaso já que muitos outros mereciam a citação. Tal como o texto inicial deixa adivinhar Anne Quetzal escreveu um livro sobre a relação homem versus mulher, e é aqui que o livro faz toda a diferença, relação erótica mas também e acima de tudo relação social, que não é fácil encontrar desta forma inspirada entre os grandes autores de poesia erótica dos nossos tempos.Comparando com as autoras de literatura erótica do último século, e não são assim tantas, não conheço uma poeta que tão bem tenha escrito sobre a “paciência de puta” (página 79), as “mulheres que dormem com os homens nos berços dos filhos” (página 62), “a arte de fazer pão sem farinha” (página 20), “gente de trabalho mal remunerado que só sabe viver do negócio sujo da alma” (página 65), e as “mulheres do campo que trabalham e namoram ao sol e ao vento e quando abrem as pernas é para passar o tempo”(página 41).Há muitos outros exemplos neste livro de Anne Quetzal, editado pela novel editora Rosmaninho, para convidar os leitores de poesia a procurarem ou visitarem o livro na estante de uma livraria, convite extensivo aos poetas, ou aspirantes a poetas, que são muitos e que na grande maioria dos casos não lêem os seus contemporâneos nem sabem quem publica o quê e onde.“Acabei um poema; às vezes são os homens que me sujam de esperma”(página 46); “Tentei várias posições mas acabava sempre com a sensação que a mais fodida era eu” (página 47); Mais dois exemplos para acentuarmos o ineditismo da poesia de Anne Quetzal; para além de provocadora inaugura uma forma de contar no feminino que devemos reconhecer como excepcional; e em poesia, como todos sabemos, não é muito fácil ser inovador, muito menos excepcional.

Vai ser obrigatório no futuro estarmos atentos aos novos livros da autora de Poemas Americanos.Não há como saber quem são os autores de referência de Anne Quetzal. “Num mundo de homens que vão às putas em grupo” certamente que a autora aprendeu mais com Marguerite Yourcenar do que com Henry Miller, só para dar dois exemplos de dois escritores bem diferentes que vão passar os séculos encadernados em couro, o que não saberemos se vai ser o caso de Anne Quetzal. O livro traz uma breve apresentação da autora mas não é por aí que a ficamos a conhecer. Uma mulher que diz que escreve com o “clítoris nas mãos” (página 87), e que é “uma profissional da punheta” (página 92), certamente que terá algumas dificuldades em mandar reservar uma sala da Gulbenkian ou da Biblioteca Nacional para apresentar o seu livro e mostrar-se ao público e aos seus pares.

Pelo posfácio ficamos a saber que a autora já viveu “mais de um século”, e que, “mesmo que vivesse mais mil anos nunca teria tempo nem espírito para escrever a sua biografia” (página 101); são “100 anos de vida” (página 100) que parecem tão ficcionados no posfácio como em todos os 308 textos de Poemas Americanos.Os leitores de poesia que costumam matar o vício nas estantes das livrarias, acabando a comprar romances que depois nunca lêem, e servem para enfeitar as estantes das salas, não têm desculpa para não comprarem este livro. O preço é acessível (9 euros) e o livro tem leitura que dura muito para além de um fim-de-semana;“Um homem que vai às putas/que as beija na boca e lhes mete o dedo no traseiro não senta o rabo numa/cadeira ainda quente para não apanhar no cu o hemorroidal (página 71). Parece um poema retirado ao acaso de um livro de Charles Bukowski mas não é; estes poemas do livro de Anne Quetzal têm a mesma sem cerimónia dos textos dos poetas eróticos e pornográficos de referência mas nunca se ficam pela força da reflexão e do desejo. Nestes poemas não há paixão; há revolução; em alguns poemas até parece que a autora escreve sobre a paz mas de verdade o que ela subscreve é a guerra.

Outro exemplo, a terminar, para podermos roubar a um poema o título deste artigo; “Gosto de ouvir a fêmea a gozar; o meu amor tem as mãos/ firmes roubei-lhe estes dois versos em quatro dias/de cama, mesa farta, sonhos azuis e muita conversa fiada;/ fiquei sem forças e sem palavras quando pela última vez/me pediu para engolir o seu esperma e depois adormeceu/a beber as suas lágrimas; na despedida disse-me ainda/a chorar que era um cabrão que se entregava a qualquer/ mulher de palavra fácil” (página 32).Para quem defende que o verso livre tem as suas regras eis uma prova em Poemas Americanos de que escrever poesia é mesmo romper as regras em toda a linha.



A poesia de Anne Quetzal e o erotismo
da política portuguesa

Por Joachim Lucano

Poemas Americanos, de Anne Quetzal, é um livro escrito no feminino que apresenta textos poéticos que rompem com tudo o que se conhece e pode ser encontrado nas estantes das livrarias portuguesas. Poesia erótica, escrita numa linguagem de extremos, numa altura em que a poesia em Portugal vive de pequenos livros e obscuros poetas com algumas excepções como são os casos, entre outros, de Armando Silva Carvalho, João Rui de Sousa, Manuel Alegre e Yvete Centeno.

A sociedade portuguesa vive um período de nostalgia no que respeita à arte e aos artistas. Na literatura todos temos saudades de José Saramago que aliava à publicação de belos e extraordinários romances uma intervenção pública sempre muito combatente. Ele não foi no seu tempo o único com um pensamento e uma combatividade fora do comum nos meios intelectuais portugueses de uma época literalmente dominada pelos políticos. Veja-se o caso de José Sócrates acusado de ter montado uma quadrilha para ir sacando dinheiro dos actos que praticou enquanto líder político. Ninguém pode afirmar com verdade que José Sócrates é inocente, ou culpado, mas há sintomas da sua doença em actos públicos que praticou já depois de abandonar a vida política que deixa muitas dúvidas sobre a sua bondade. A forma como editou um livro, que apresentou como tese de mestrado, prova que o homem é descendente do macaco. Mais surpreendente ainda que a publicação de um livro que, segundo se vai sabendo, teve a ajuda na sua redacção de grandes figuras da nossa intelectualidade, mais surpreendente foi o número anormal de vendas que, sabe-se agora, deveu-se à compra maciça de milhares de exemplares numa estratégia de enganar o mercado e eleger Sócrates como o autor do momento na lista dos livros mais vendidos.
Saramago não foi o único intelectual do seu tempo a manifestar-se publicamente e em várias circunstâncias contra os vendilhões do templo, os amigos da onça, mas foi o único a conseguir espaço para que as suas palavras tivessem eco na sociedade portuguesa através dos jornais ditos de referência, assim como das televisões que vendem informação nos noticiários e nos programas de reportagem e comentário como vendem sabonetes nos espaços publicitários.

Desde que morreu José Saramago que a cultura portuguesa está órfã. À excepção de Eduardo Lourenço que, curiosamente, nasceu um ano depois de José Saramago (1923), e que se mantém vivo e de boa saúde, não há na sociedade portuguesa um escritor e ensaísta/pensador que seja ouvido e respeitado como foi José Saramago. Eduardo Lourenço não fala de política que não seja aquela que a literatura permite por razões mais do que óbvias: toda a sua vida foi construída em cima de palavras; António Lobo Antunes, o único escritor vivo com tanta projecção nos media como teve José Saramago, é um ressabiado e um homem dado a grandes acrobacias do pensamento sempre preocupado com o fantasma de uma vida fugaz e transitória.

São só dois exemplos mas são dois bons exemplos. Não há duas figuras na sociedade portuguesa que se comparem com estas duas. Com a particularidade de Eduardo Lourenço ter sido, e ainda ser, um dos mais apaixonados críticos da Obra de Saramago. E António Lobo Antunes ter sido, e ainda ser, o critico mais corrosivo daquilo que Saramago tinha de pior, ou melhor, para ele, que era a sua mania do comunismo, das ideias socialistas e da grande felicidade que irradiava ao lado de uma mulher que lhe deu uma segunda vida. Ao contrário de António Lobo Antunes que tem vivido toda a sua vida a recordar a sua primeira mulher.

O livro de Anne Quetzal, Poemas Americanos, é um mergulho no mundo imperfeito das mulheres sensíveis que não têm mais nada para fazer que não seja escutar/auscultar a sua própria alma produzindo poesia como os alfaiates cortam o pano e pregam botões. A falta de bondade destas últimas palavras não impede que reconheçamos em Poemas Americanos uma literatura de combate, engajada, vigorosamente empenhada em advogar a causa das mulheres num mundo dominado pelos homens que, como José Sócrates, o político português, acham tão natural tirar proveito dos seus conhecimentos e das oportunidades da vida, ainda que seja contra tudo o que está legalmente instituído, como Coubert achou os pincéis e as tintas para pintar os melhores quadros de nus da pintura de todos os tempos.
Poemas Americanos é um conjunto de textos que vai contra a corrente de tudo o que nos últimos anos se tem publicado em Portugal. Anne Quetzal inaugura com este livro uma pequena revolução na poesia portuguesa (de verdade não há uma poesia portuguesa como não há uma francesa ou americana; toda a escrita é uma linguagem universal).

Não há teresas hortas mais ou menos domesticadas pelo tempo, e pelas colunas sociais em que se transformaram todos os jornais que dedicam espaço à literatura, que se salvem no meio deste livro a roçar a linguagem pornográfica, socialmente comprometido, politicamente provocador, em suma, de uma grande força poética. Acredito muito convictamente que muitos destes poemas são autobiográficos; Já não estamos no século XIX no tempo em que os grandes escritores eram aristocratas. Por isso tem sentido nesta evolução natural própria dos novos tempos, da internet às descobertas científicas tão importantes para a longevidade dos homens, concluir que Anne Quetzal é uma poeta da cidadania, uma mulher que sujou as mãos a trabalhar, embora conheça a experiência de viver entre os jardins, o piano e a mesa de chá.


Para Anne Quetzal, como para Virgínia Woolf ou Marguerite Yourcenar, ler e escrever são uma só coisa. É sendo leitor que uma pessoa se torna escritor. É mais do que certo que os poemas eróticos e políticos de Anne Quetzal vão fazer história na poesia portuguesa. Como aliás vai ficar na história a saga de José Sócrates, o político português que governou o país em vários governos e influenciou jornalistas de opinião como Fernanda Câncio que, ainda recentemente, foi capa de revista e autora de um texto de nove páginas para dizer ao mundo que dormiu com o ex-primeiro-ministro de Portugal mas nunca viu, nem percebeu, que ele tinha os bolsos cheios de euros.


Joachim Lucano*
*Professor de literatura. Pintor. Praticante profissional de ténis de mesa.
É filho de emigrantes. Vive entre França e Portugal.

Texto publicado no blog Letras In.Verso e Re.Verso

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