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Um ensaio para o livro erótico de Anne Quetzal: “Poemas para acabar com a violência doméstica”

27 de Novembro, 2023

Uma mulher pode amar com a máxima intensidade um batalhão de soldados do amor, mas vai haver sempre um soldado que tem a arma mais bela, a farda que mais cheira a roupa lavada.


Quantos homens é que uma mulher pode amar ao mesmo tempo?

Não é a pergunta para um milhão de dólares, mas é certamente a pergunta sem resposta para muitos milhões de mulheres que todos os dias sofrem de violência doméstica.

Respondo pelo que sei e vivo no momento em que escrevo este texto no mês de Outubro do ano de 2023. Amo ao mesmo tempo uma dúzia de homens, mas há um que amo e desejo acima de todos os outros. É ele que me dá os bons dias e deseja as boas noites, mas também é ele que me anuncia todas as estações do ano. É com ele que eu me levanto ao nascer do sol e, muitas vezes, me deito madrugada dentro; e é ele que me chupa os mamilos, que mete os dedos dentro de mim e tudo o mais que é meter e invadir os terrenos do meu corpo que, assim que adivinha a presença das alfaias, salvo seja, fica pronto a semear e a dar frutos ao mesmo tempo.

Uma mulher pode amar com a máxima intensidade um batalhão de soldados do amor, mas vai haver sempre um soldado que tem a arma mais bela, a farda que mais cheira a roupa lavada, as palavras mais bonitas e destemidas à flor dos lábios, o jeito de amar mais parecido com o dos anjos, ou do diabo quando está nos seus melhores momentos e reina sobre todos os anjos e santos que, diariamente, lhe ganham muitas batalhas, mas nunca lhe ganharão a guerra.

Quantos homens é que uma mulher pode amar ao mesmo tempo se for casada, tiver filhos, um ofício exigente, e o marido for um daqueles homens, como sempre encontramos muitos, que não fodem nem saem de cima? Pela minha experiência diria que, no máximo, no máximo, podem amar uma dezena de rabichos, de onde naturalmente sobressairá o rabicho maior que ela vai amar acima de todos os outros; e por isso será sempre a mais feliz de todas as mulheres, consciente de que o amor não vivido, tal como a memória, será sempre a vingança daquilo que não foi.

Annie Gubbio*
* Solteira e divertida. Sem filhos e sem fortuna. De um pequeno bairro de Oeiras

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