
Um homem que vai às putas que as beija na boca
e lhes mete o dedo no traseiro não senta o rabo numa
cadeira ainda quente para não apanhar no cu o hemorroidal.
Azar ao jogo e azar às mulheres; tudo o que se perde
nunca é demais.
Fomos ao clube de jazz da rua da saudade depois de um
jantar à luz da vela e de saborearmos uma comida doce
como espargos; de tanto olhar para os seus lábios entornei
o vinho; de tanto procurar as suas mãos em cima da mesa
doeram-me os braços; deixei arrefecer a sopa para ver
como ele levava a colher à boca; queria tanto inspirar-lhe
um poema que ao comer o pão senti na farinha o gosto
da terra; disse-lhe que me sentia uma criança e vi como
ele se riu das minhas rugas e dos meus quase cem anos;
duas horas depois de tanto misturarmos as palavras com
a comida falámos do efeito do vinho na sua cabeça e do
meu pequeno coração com menos sangue do que vinho
tinha ficado na garrafa; antes de adormecermos de pé
a ouvir jazz e a beber cerveja saímos para a rua e ainda tive
tempo de queimar as mãos nos seus sagrados ombros; foi
um homem da rua que levei para a cama depois de deixar
o rapaz envergonhado à porta de casa.


