
Para mãe e puta é a que tem a cona mais funda
e a melhor placenta; para engolir o corpo mais denso
e minúsculo é a que tem no peito os mais doces mamilos;
para um homem morrer a seguir a uma foda não há quem
saiba tanto dos mistérios da alma; para a carne sem
osso e o peixe sem espinhas é a mãe e a puta que todos
procuram; para dar asas ao caralho e ensiná-lo a falar latim
não há no mundo outra mulher como ela; para engravidar
da chuva e dos milagres do sol não há natureza como
a desta mulher; para mãe e puta, a toda a hora e para toda
a vida, é a mulher perfeita; dizem que faz milagres na vida
dos homens e também há quem lhe chame santa em vez
de mãe e puta.
Desfaz o teu ninho debaixo das minhas asas; não
me beijes se não for para me arrancares a língua; vem
comigo atravessar o rio para um lado e para o outro, para
um lado e para o outro, até juntarmos as duas margens
como unimos os nossos corpos; vem para o sol deste dia
sentar-te a meu lado no muro do quintal para abrirmos
o livro que temos entre pernas e rasgarmos os poemas
das primeiras páginas; vem comigo apanhar sol na cabeça;
ouvir os pássaros da vindima que trazem no bico
as novidades da vila e nas asas o cheiro a mosto das
adegas; desfaz o teu ninho debaixo das minhas asas;
não me beijes se não for para me arrancares a língua.


