
Quero-te nu homem do meu poema e do amor marcado
nos ferros da cama; quero-te nu homem do desenho da vida
e dos quadros iguais da vieira da silva; quero-te nu homem
do desejo de viver e dos sonhos felizes antes de adormecer;
quero-te nu na minha cama; ó homem ajuda-me a sujar
o branco velho dos lençóis de uma semana.
Hoje há o pequeno mundo da poesia; o pequeno
grande mundo dos poetas; o mundo de todos os sonhos
da publicidade; por todo o mundo se escrevem novos
poemas e novos poetas rendem-se ao bater do coração
que anuncia a virilidade do nariz: o novo sexo ranhoso
dos homens a entesar-se com o chão.
Não tenho aqui à mão a faca de cortar o pão mas quando
uma mulher tem razão é justo cortar ao meio com a mão.
O calor da vida dos homens perde o mesmo efeito
do calor do sol no corpo de uma mulher; basta viver
por perto de uma sombra.
As vozes dos homens que nunca se calam são como
as das crianças que as mães embalam; resisto ao desejo
de colorir a vida; não tenho barba mas a minha cara
que o diga; faço minhas as palavras dos que escrevem
os poemas; também tenho asas mas para escrever
arranco as penas.
Posso estar sentado no teu colo a magoar-te os joelhos
e não ser o amor de mulher que sonhaste; sentado no teu
colo a unir-te os joelhos para não me tirares o colo sonho
que ainda tenho mãe e me roubaste.


